Quercetina protege contra dano oxidativo causado por paraquat em fígado e rim de ratos

Palavras-chave: Estresse Oxidativo, In silico, Agrotóxicos, Antioxidante

Resumo

As intoxicações por paraquat (Pq) são frequentes no país e seu mecanismo de ação tóxica envolve a geração de estresse oxidativo, que pode ser combatida com antioxidantes exógenos como a quercetina (Q). Assim, ao avaliar o papel desse flavonoide em dano causado por Pq em modelo experimental animal, in vitro, observou-se uma redução no nível de lipoperoxidação hepático, sugerindo maior sensibilidade desse tecido do que o renal. Também, quando em associação, Pq + Q foram capazes de provocar a inibição da enzima δ-aminolevulinato desidratase (δ-ALA-D), possivelmente por mecanismo de quelação, não relacionado aos grupos sulfidrílicos da enzima. In silico, a Q apresentou boa absorção intestinal, alta taxa de ligação às proteínas plasmáticas, potencial mutagênico, carcinogênico e inibitório sobre enzimas do metabolismo. Assim, acredita-se que a dieta alimentar rica em Q ou sua suplementação pode trazer benefícios à saúde da população, especialmente àqueles expostos a herbicidas, como o Pq.

Biografia do Autor

Tatiane Julia Hahn, Universidade de Cruz Alta
Farmacêutica, egressa do Curso de Farmácia, Universidade de Cruz Alta.
Josiane Woutheres Bortolotto, Universidade de Cruz Alta
Doutora, docente do Curso de Farmácia, Universidade de Cruz Alta.
Thiago de Souza Claudino, Centro Universitário Metodista IPA
Doutor, docente do Curso de Farmácia, Centro Universitário Metodista IPA. 
Gabriela Bonfanti-Azzolin, Universidade de Cruz Alta
Doutora, docente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensuem Atenção Integral à Saúde, Universidade de Cruz Alta.

 

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Publicado
2019-12-16