Avaliação dos teores nutricionais de produtos comercializados em redes de <em>fast foods</em> no Brasil

  • Jessica Patrícia Cain Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)
  • Elisvânia Freitas dos Santos Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
  • Daiana Novello Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)
Palavras-chave: nutrientes, consumidor, rótulo nutricional.

Resumo

Objetivou-se analisar a composição nutricional referente ao sódio, lipídios, gordura saturada e calorias informada nos rótulos de produtos comercializados em redes de fast foods do Brasil. Foram avaliados 3.120 alimentos, representados em 14 categorias de alimentos fast foods. Detectou-se moderado/ alto teor em calorias na maioria dos produtos avaliados. As pizzas e produtos de frango tiveram mais de 90% das amostras classificadas com moderado teor de gordura. Quanto ao sódio, apenas as categorias de frutas, saladas e sobremesas apresentaram produtos com baixo teor do mineral. Houve grande variabilidade nos nutrientes analisados entre empresas e produtos da mesma categoria de alimentos. Conclui-se que os produtos fast foods comercializados no país apresentam grande variabilidade de resultados e elevados teores de sódio, lipídios, gordura saturada e calorias, contribuindo para uma ingestão diária elevada. Além disso, um grande número de empresas não disponibilizam as informações nutricionais de seus produtos, violando a legislação brasileira vigente.

Biografia do Autor

Jessica Patrícia Cain, Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)

Graduanda. Curso de Nutrição da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Campus de Cedeteg, Guarapuava, Paraná.

Elisvânia Freitas dos Santos, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Nutricionista, Doutora. Docente do Curso de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Avenida Costa e Silva, s/n, Cidade Universitária, Campo Grande, MS, Brasil. (67) 3345 7000.
Daiana Novello, Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)

Nutricionista, Doutora. Docente do Curso de Nutrição e do Mestrado Interdisciplinar em Desenvolvimento Comunitário da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Guarapuava, Paraná.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DA ALIMENTAÇÃO (ABIA). Cenário do consumo de sódio pelo Brasil. Estudo elaborado com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São Paulo: ABIA, 2013.

______. Debate sobre tendências e inovação no 8º Congresso Internacional de Food Service. 2014. Disponível em:< http://abia.org.br/vsN/tmp_2.aspx?id=49>. Acesso em: 20 maio 2016.

______. O mercado de food service no Brasil. 2011. Disponível em: <http://www.abia.org.br/vsn/>. Acesso em: 3 set. 2015.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FRANCHISING (ABF). Inteligência de mercado. 2014. Disponível em: <http://www.abf.com.br/>. Acesso em: 20 jan. 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTROLOGIA (ABRAN). Sobremesas ao gosto dos brasileiros. 2010. Disponível em: <http://www.sebraemercados.com.br/sobremesas-ao-gosto-dos-brasileiros/>. Acesso em: 15 abr. 2016.

BLONVAL, K. H.; METZLER, A. B.; CAMPOS, M. M.; DUNORD, E. K. The salt content of products from popular fast-food chains in Costa Rica. Appetite, v. 83, n. 1, p. 173-177, dez. 2014.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Informação nutricional estará disponível em 60 redes de lanchonetes e restaurantes. 2010. Disponível em: <http://s.anvisa.gov.br/wps/s/r/e6e>. Acesso em: 20 jan. 2016.

______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Resolução RDC nº 360, de 23 de dezembro de 2003. Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional de Alimentos Embalados, tornando obrigatória a rotulagem nutricional. Diário Oficial da União; Poder executivo. Brasília, DF, 2003.

______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC Nº 54, de 12 de novembro de 2012. Regulamento técnico sobre informação nutricional complementar. Diário Oficial União; Poder Executivo. Brasília, DF, 2012.

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

CHITARRA, M. I. F.; CHITARRA, A. B. Pós-colheita de frutos e hortaliças: fisiologia e manejo. Lavras, MG: Esal, Faepe, 1990.

DEPARTMENT OF HEASLTH (DH). Food Standards Agency – FSA. Llywodraeth Cymru Welsh Governmente - LCWG. The Scottish Government - TSG. Guide to creating a front of pack (FoP) nutrition label for pre-packed products sold through retail outlets. Scotland: DH, FSA, 2013.

DIETARY REFERENCE INTAKES (DRI). Dietary Reference Intakes for energy, carbohydrate, fiber, fat, fatty acids, cholesterol, protein and amino acids. Washington: National Academy Press, 2005.

DOWNS, J. S. Does “Healthy” Fast Food Exist? The Gap Between Perceptions and Behavior. Journal of Adolescent Health, v. 53, n. 4, p. 429-430, out. 2013.

DUNFORD, E.; WEBSTER, J.; BARZI, F.; NEAL, B. Nutrient content of products served by leading Australian fast food chains. Appetite, v. 55, n. 3, p. 484–489, dez. 2010.

DUNFORD, E.; WEBSTER, J.; WOODWARD, M.; CZERNICHOW, S.; YUAN, W.; JENNER, K.; MHURCHU, C. N.; JACOBSON, M.; CAMPBELL, N.; NEAL, B. The variability of reported salt levels in fast foods across six countries. Opportunities for salt reduction. Canadian Medical Association Journal, v. 184, n. 9, p. 2023-2028, 2012.

FRANK, H. F. B. Obesity epidemiology. New York: Oxford University Press, 2008.

GARCIA, J.; DUNFORD, E.; SUNDSTROM, J.; NEAL, B. Changes in the sodium content of leading Australian fast-food products between 2009 and 2012. Medical Journal of Australia, v. 200, n .6, p. 340-344, 2014.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. Disponível em:< http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv91110.pdf>. Acesso em: 02 maio 2016.

LEAL, D. Crescimento da alimentação fora do domicílio. Segurança Alimentar e Nutricional, v. 17, n. 1, p. 123-132, 2010.

MORATOYA, E. E.; CARVALHAESG, C.; WANDER, A. E.; ALMEIDA, L. M. M. C. Mudanças no padrão de consumo alimentar no Brasil e no mundo. Revista de Política Agrícola, v. 22, n. 1, p. 72-84, 2013.

NUTRIONIX. A diferença entre redução e substituição de sódio. Food Ingredients Brasil, São Paulo, v. 17, n. 35, p. 80-83. set./nov. 2015.

O’DONNELL, S.; HOERR, S.; MENDOZA, J.; GOH, T. E. Nutrient quality of fast food kids meals. American Journal of Clinical Nutrition, v. 88, n. 5, p. 1388-1395, nov. 2008.

POWLES, J.; FAHIMI, S.; MICHA, R.; KHATIBZADEH, S.; SHI, P.; EZZATI, M.; ENGELL, R.E.; LIM, S.S.; DANAEI, G.; MOZAFFARIAN, D. Global, regional and national sodium intakes in 1990 and 2010: a systematic analysis of 24 h urinary sodium excretion and dietary surveys worldwide. BMJ Open, v. 23, n. 12, p.1-18, dez. 2013.

RANGAN, A. M.; SCHINDELER, S.; HECTOR, D. J.; GILL, T. P.; WEBB, K. L. Consumption of ‘extra’ foods by Australian adults: Types, quantities and contribution to energy and nutrient intakes. European Journal of Clinical Nutrition, v. 63, n. 7, p. 865-871, out. 2009.

SANTOS, R. F. S.; OLIVEIRA, S. C. Fast Food: um reflexo da padronização do consumo consequente da globalização das ofertas de mercado. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO CENTRO-OESTE, 16., 8-10 de maio 2014, Águas Claras, DF. Anais... Águas Claras, DF: UCB, 2014.

SARNO, F.; CLARO, R. M.; LEVY, R. B.; BANDONI, D. H.; MONTEIRO, C. A. Estimated sodium intake for the Brazilian population, 2008-2009. Revista de Saúde Pública, v. 47, n. 3, p. 1-7, 2013.

SILVA, A. S.; COUTINHO, V. F.; AZEVEDO, C. H. Análise do teor de sódio em molhos de tomate industrializados: um alerta para hipertensão. Revista Saber Científico, v. 4, n. 1, p. 38-46, 2015.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO (SBH). Benefícios da atividade física. 2011. Disponível em: <http:www.sbh.org.br>. Acesso em: 16 abr. 2016.

TOBIN, B. D.; O'SULLIVAN, M. G.; HAMILL, R. M.; KERRY, J. P. Effect of varying salt and fat levels on the sensory quality of beef patties. Meat Science, v. 91, n. 4, p. 460-465, ago. 2012.

UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE (USDA). Standard Release 25 - Tabela de composição química dos alimentos. 2012. Disponível em: <http://www.dis.epm.br/ servicos/nutri/public/alimento/nutriente/ndbno/21228>. Acesso em: 20 jan. 2016.

VENTURA, R. Mudanças no perfil do consumo no Brasil: principais tendências nos próximos 20 anos. Rio de Janeiro: Macroplan - Prospectiva, Estratégia e Gestão, ago. 2010.

VIGILÂNCIA DE FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO PARA DOENÇAS CRÔNICAS POR INQUÉRITO TELEFÔNICO (VIGITEL). Obesidade estabiliza no Brasil, mas excesso de peso aumenta. 2014. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticias-svs/17455-obesidade-estabiliza-no-brasil-mas-excesso-de-peso-aumenta>. Acesso em: 26 maio 2016.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Diet, nutrition and prevention of chronic diseases. Report FAO/WHO Expert Consultation. WHO Technical Report Series, Geneva, n. 916, 2003.

______. Who issues new guidance on dietary salt and potassium 2013. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/news/notes/2013/salt_potassium_20130131/en/>. Acesso em: 13 maio 2016.

YOKOO, E. M.; MASSARANI, F. A.; SOUZA, B. N.; MURARO, A. P.; CUNHA, D. B. Correlação de padrão alimentar do tipo “fast food” entre pais e filhos no Brasil. In: CONGRESSO NACIONAL DA SBAN, 12., 13 a 16 de agosto de 2013. Anais... Foz do Iguaçu, PR, 2013.

Publicado
2016-06-16