A inadequabilidade técnica da aplicação da NBR 10.004 para a caracterização e classificação de solos escavados com potencial de contaminação

  • Fabiana Alves Cagnon R&C Projetos em Geologia Ltda. http://orcid.org/0000-0001-5611-5059
  • Allan Dombrowski Francisco Empresa Bioagri Ambiental Ltda. que pertence ao grupo Mérieux NutriSciences Brasil.
  • Ednilson Viana Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo - USP
  • Homero Fonseca Filho Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo - USP
Palavras-chave: resíduos, contaminação, impacto ambiental, normatização

Resumo

Uma classificação inadequada de solos pode resultar em uma disposição também inadequada destes, com impactos de ordem financeira e ambiental. Assim, o objetivo deste trabalho foi demonstrar, por meio de um estudo de caso, a inadequabilidade de utilização da norma técnica NBR 10.004, concebida para a classificação de resíduos industriais, quando utilizada para caracterizar e classificar solos escavados com potencial de contaminação. Para tanto, fez-se uma avaliação comparativa de resultados analíticos, obtidos por meio de ensaios de lixiviação e solubilização de quatro amostras de solo. De acordo com os resultados obtidos, os solos caracterizados foram classificados como Classe II A – não inerte, ao invés de IIB inerte. Os resultados mostram que é imprescindível a readequação ou um novo método de classificação dos solos, sempre que esse material precisar ser avaliado em função da presença de potencial contaminação, capaz de orientar a sua adequada disposição final.

Biografia do Autor

Fabiana Alves Cagnon, R&C Projetos em Geologia Ltda.

Geóloga e mestre em Hidrogeologia (USP) com 22 anos de experiência profissional contínua na área de consultoria em meio ambiente e gestão de áreas contaminada, tendo trabalho em mais de uma centena de projetos de investigação ambiental em vários estados do Brasil e em países como Estados Unidos da América, México e Colômbia. Atualmente atua como sócia-diretora da empresa R&C Projetos em Consultoria Ltda. e no período de 2015 a 2016, trabalhou como assessora técnica de gabinete da USP.  Dentre seus últimos trabalhos destaca-se aquele sobre gestão de obras lineares em áreas contaminadas, como os que desenvolveu para a ANTT (Lieggio, M.J.et. al., 2012) e para o Metro de São Paulo. Neste último projeto, elaborou documentos técnicos de diretrizes de obra (R&C, 2010; R&C, 2010A; Metro, 2010; WALM, 2015 e WALM, 2015a). 

Allan Dombrowski Francisco, Empresa Bioagri Ambiental Ltda. que pertence ao grupo Mérieux NutriSciences Brasil.

Gestor Ambiental pela Universidade de São Paulo, Escola de Artes, Ciências e Humanidades. Atualmente atua como coordenador geral de coletas na empresa Bioagri Ambiental Ltda.

Ednilson Viana, Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo - USP

Biólogo pela Unesp de S. J. Rio Preto, Mestre em Ciências pelo Instituto de Física e Química de São Carlos/USP, Doutor em Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos/USP, Pós doutor pelo Departamento de Engenharia Civil da UFSCar, Pós doutor pela Universidade Nova de Lisboa, atua como professor no curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.

Homero Fonseca Filho, Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo - USP

Engenheiro Agrônomo pela ESALQ/USP, especialização em Heveicultura pela Universidade Federal Rural da Amazônia (1985), aperfeiçoamento em Produção Agrícola Sustentada pela University of Newcastle Upon Tyne, Inglaterra, mestrado em Agronomia pela ESALQ/USP (1993), doutorado em Geociências e Meio Ambiente pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas - IGCE da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP (1999), atua como professor no curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da  Universidade de São Paulo.

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Publicado
2018-03-23